WoW cinematis em português: começamos muito mal

Primeiro, vamos deixar claro que eu não sou, de forma alguma, contra o louvável esforço de todos os envolvidos na tradução do World of Warcraft para o nosso português. No entanto, o que estou vendo (ouvindo, na verdade) está muito aquém do que eu esperava.
Sabemos que esse negócio de tradução dificilmente agrada a gregos e troianos, mas, em se tratando de um game como WoW, que já conta com uma tremenda base de jogadores brasileiros ativos nos servidores americanos e, portanto, familiarizados com a história e todo o ambiente do jogo, o mínimo que se pode esperar é um trabalho de qualidade ao menos bastante próxima ao da Blizzard – que é alta, diga-se de passagem.
No caso das cinematics – aqueles filmes feitos para apresentar partes da história do game – o que ouvi está muito, muito distante dos padrões originais.
Primeiramente, por que cargas d’água os dubladores têm sotaque??? Isso é inadmissível. E quem diz isso é um cara que tem orgulho do seu sotaque. Fazemos parte de um país culturalmente muito rico, com diversas tradições e formas de expressão regionais. Agora, gravar uma dublagem com sotaque é o mesmo que regionalizar um áudio. Imagine um gaúcho ou um baiano narrando um audiobook do Senhor dos Anéis? Ia ficar estranho, não? Bom, pois foi isso o que fizeram com as cinematics do WoW, onde os narradores têm um sotaque puxando para o carioca ou capixaba, não sei ao certo. Mas sei que eu ouço claramente o regionalismo em várias palavras (rêinoch, maix, ixtremecem, mêixmo, tambôrich) e isso me deixa fulo.
Em relação à qualidade, os áudios das cinematics não parecem com aquelas dublagens de Sessão da Tarde? Faltou ambientação, produção, sei lá… mas sei que algo não soa bem. Onde está a maldita política de qualidade da Blizzard numa hora dessas, ein? A voz do Illidan na narração do vídeo da Burning Crusade não faz jus à original, soa como a voz de um velho encarquilhado em final de carreira.
Ainda falando da qualidade do áudio, que diabos é aquele efeito na voz do Deathwing/Asamorte no vídeo do Cataclysm/Cataclisma? Não tem nada a ver com a voz original e ficou tão ruim que, por vezes, não dá pra entender direito. Ouçam o original, depois o traduzido, e chorem.
Por fim, há alguns termos que não me soam nada bem e podiam ter sido alterados ao invés de traduzidos ao pé da letra, mas, embora isso me incomode, não é o que mais me incomoda. O que mais me tira do sério é a forma como as palavras não traduzidas são distorcidas quando faladas em português. Veja, como seria a melhor forma de se falar AZEROTH em português? A-ze-rót, a meu ver. Ok? Agora, porque diabos na dublagem falam A-ZE-RÓ-TCHI? Sem mais comentários…
Vocês podem achar que estou sendo um tanto exagerado ou injusto, mas estou sendo apenas crítico e preocupado com a baixa qualidade que estamos recebendo da Blizzard. Se for esse o preço a ser pago para termos WoW localizado para nosso idioma, então estamos sendo tratados com uma tremenda falta de respeito. Se está faltando um controle de qualidade, então que a Blizzard tome uma atitude. E não venham dizer que é falta de talento, tecnologia ou capacidade para fazer melhor, pois não é verdade e, mesmo que fosse, o brasileiro é reconhecido por sua criatividade e capacidade de superação na solução de problemas.
A Blizzard é reconhecida pela criatividade e, acima de tudo, atenção aos detalhes e qualidade muito superior. Todos atestamos isso curtindo os universos de Warcraft e Starcraft ao longo dos anos, em inglês. Por que deveria ser diferente agora que podemos tê-los em português?
Assista os vídeos a seguir e tire suas próprias conclusões.
World of Warcraft Classic Cinematic
Original | Em português BR
The Burning Crusade Cinematic
Original | Em português BR
Cataclysm Cinematic
Original | Em português BR
Novo site e vídeo de The Secret World
Novidades de facto de The Secret World, finalmente! E a maior delas é o novo site do jogo, muito bem montado, trazendo todas as informações até aqui reveladas sobre TSW.
Além do site, temos o vídeo feito para a GDC 2011, do qual pesquei algumas palavras de Ragnar Tornquist (game director) e Joel Bylos (lead content designer) que tentam definir o que será The Secret World.
“Seja quem você quiser ser, jogue do jeito que quiser jogar.”
“Há centenas de brinquedos para se brincar e centenas de poderes para usar, e você pode acessar todos esses brinquedos, e todos esses poderes com o seu personagem.”
“É simplesmente a verdadeira liberdade de progressão.”
“Sabe aquela cena de Matrix, onde Neo acorda e diz:
- ‘Eu sei kung fu’.
Isso é o que queremos que os players sintam quando jogam The Secret World.”
Agora, assita o vídeo pra entender a empolgação dos caras =)
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