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Aug 7, 2011
MMOmagnet
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Um espelhinho para o Patinho Feio

Em outro post, expressei minha opinião sobre a qualidade da produção das cinematics do WoW traduzidas para nosso Português. Enquanto a maioria comentários criticava a minha exigência em relação a tal produção, eles também apontavam para um sentimento infeliz que o Brasil ainda cultiva: a Síndrome do Patinho Feio.

Vamos falar especificamente da situação da localização do World of Warcraft para o Brasil.

Depois de alguns anos de suspense, a Blizzard finalmente anunciou que teremos WoW traduzido para nosso idioma, com mensalidade mais em conta (em Reais) e servidores direcionados aos gamers brasileiros. Isso é, sem dúvida, um tremendo fato para a história dos games no Brasil. Há alguns anos que nosso País está nos planos das grandes produtoras mundiais, e este é um fato que atesta nosso peso no mercado de games – ao menos, como consumidores de games.

Um dos movimentos iniciais da chegada do WoW ao Brasil foi a tradução das cinematics. Mundialmente, a Blizzard é reconhecida pelo seu alto padrão de qualidade em todos os seus produtos. E, a meu ver, isso não foi ‘traduzido’ para as cinematics brasileiras. Seria muito pedir que os brasileiros tenham a mesma qualidade que o mercado internacional recebe? Para mim, é óbvio que não. Para outros, ‘tá bom assim, pelo menos os caras estão nos dando uma chance’.

Um artigo no  WoW Insider analisa o risco jurídico da entrada do MMO da Blizzard no mercado brasileiro  - citando a proibição da venda do Everquest. Embora o risco exista, a aposta da Blizzard no Brasil tende a render, e muito. Com o amadurecimento do setor de games no País nos últimos anos e a repercussão que a localização de um game como World of Warcraft gera mundo afora, arrisco dizer que os riscos da Blizzard são bem atenuados e calculados.

Fora a potencial ameaça jurídica, a Blizzard só tem a ganhar vindo para o Brasil. Temos milhares de jogadores em potencial, impedidos, ainda em grande parte, pelos custos (hardware, software, mensalidades) e barreiras de linguagem. Pontos para a Blizzard.

Mesmo com estes impedimentos, há uma enorme base de jogadores brasileiros nos realms de World of Warcraft. Basta espiar o Warsong, um realm tremendamente populado e praticamente só com brasileiros – e não é o único.

O brasileiro ainda acha que não merece ser tratado com o devido respeito, não se acha merecedor daquilo que lhe é oferecido e, com isso, coloca lá pra baixo o nível de exigência. É a tal Síndrome do Patinho Feio. Isso acontece em todos os setores, não apenas nos games. Precisamos perceber que os grandes players estão vindo oficialmente para o Brasil e o que estamos comprando aqui são produtos e serviços de qualidade internacional. Não estamos falando de um uísque paraguaio ou de um videogame ching ling.

Já se foi o tempo em que nosso país não era interessante para as grandes produtoras mundiais, muito pelo contrário. Agora nossa economia e consumo são como aquele Velho Oeste americano que vemos nos filmes – uma promessa que pode render muito para aqueles que souberem conquistá-lo. Só que nessa corrida pelo ouro nós somos os índios, defendendo nosso território. Se vamos repetir a história e nos trocar por espelhinhos ou se vamos selar um acordo justo, só depende de nós.

 

Referências:

1. Produção de games contará com incentivo fiscal no Brasil
2. Entidade pede incentivo para games brasileiros
3. Jogo Justo
4. Is this a US server?

 

Jul 24, 2011
MMOmagnet

WoW cinematis em português: começamos muito mal

Terra à vista: WoW discovers Brasil

Primeiro, vamos deixar claro que eu não sou, de forma alguma, contra o louvável esforço de todos os envolvidos na tradução do World of Warcraft para o nosso português. No entanto, o que estou vendo (ouvindo, na verdade) está muito aquém do que eu esperava.

Sabemos que esse negócio de tradução dificilmente agrada a gregos e troianos, mas, em se tratando de um game como WoW, que já conta com uma tremenda base de jogadores brasileiros ativos nos servidores americanos e, portanto, familiarizados com a história e todo o ambiente do jogo, o mínimo que se pode esperar é um trabalho de qualidade ao menos bastante próxima ao da Blizzard – que é alta, diga-se de passagem.

No caso das cinematics – aqueles filmes feitos para apresentar partes da história do game – o que ouvi está muito, muito distante dos padrões originais.

Primeiramente, por que cargas d’água os dubladores têm sotaque??? Isso é inadmissível. E quem diz isso é um cara que tem orgulho do seu sotaque. Fazemos parte de um país culturalmente muito rico, com diversas tradições e formas de expressão regionais. Agora, gravar uma dublagem com sotaque é o mesmo que regionalizar um áudio. Imagine um gaúcho ou um baiano narrando um audiobook do Senhor dos Anéis? Ia ficar estranho, não? Bom, pois foi isso o que fizeram com as cinematics do WoW, onde os narradores têm um sotaque puxando para o carioca ou capixaba, não sei ao certo. Mas sei que eu ouço claramente o regionalismo em várias palavras (rêinoch, maix, ixtremecem, mêixmo, tambôrich) e isso me deixa fulo.

Em relação à qualidade, os áudios das cinematics não parecem com aquelas dublagens de Sessão da Tarde? Faltou ambientação, produção, sei lá… mas sei que algo não soa bem. Onde está a maldita política de qualidade da Blizzard numa hora dessas, ein? A voz do Illidan na narração do vídeo da Burning Crusade não faz jus à original, soa como a voz de um velho encarquilhado em final de carreira.

Ainda falando da qualidade do áudio, que diabos é aquele efeito na voz do Deathwing/Asamorte no vídeo do Cataclysm/Cataclisma? Não tem nada a ver com a voz original e ficou tão ruim que, por vezes, não dá pra entender direito. Ouçam o original, depois o traduzido, e chorem.

Por fim, há alguns termos que não me soam nada bem e podiam ter sido alterados ao invés de traduzidos ao pé da letra, mas, embora isso me incomode, não é o que mais me incomoda. O que mais me tira do sério é a forma como as palavras não traduzidas são distorcidas quando faladas em português. Veja, como seria a melhor forma de se falar AZEROTH em português? A-ze-rót, a meu ver. Ok? Agora, porque diabos na dublagem falam A-ZE-RÓ-TCHI? Sem mais comentários…

Vocês podem achar que estou sendo um tanto exagerado ou injusto, mas estou sendo apenas crítico e preocupado com a baixa qualidade que estamos recebendo da Blizzard. Se for esse o preço a ser pago para termos WoW localizado para nosso idioma, então estamos sendo tratados com uma tremenda falta de respeito. Se está faltando um controle de qualidade, então que a Blizzard tome uma atitude. E não venham dizer que é falta de talento, tecnologia ou capacidade para fazer melhor, pois não é verdade e, mesmo que fosse, o brasileiro é reconhecido por sua criatividade e capacidade de superação na solução de problemas.

A Blizzard é reconhecida pela criatividade e, acima de tudo, atenção aos detalhes e qualidade muito superior.  Todos atestamos isso curtindo os universos de Warcraft e Starcraft ao longo dos anos, em inglês. Por que deveria ser diferente agora que podemos tê-los em português?

Assista os vídeos a seguir e tire suas próprias conclusões.

World of Warcraft Classic Cinematic
OriginalEm português BR

The Burning Crusade Cinematic
Original | Em português BR

Cataclysm Cinematic
Original | Em português BR

 

 

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