Quem soMMOs nós nos MMOs?

Os MMOs são como um reflexo da sociedade em um espelho meio embaçado. A gente se enxerga nele e, mesmo não se reconhecendo direito, sabe que aquilo ali é a nossa imagem.
Ok, é uma metáfora meio besta, mas que serve para ilustrar alguns fatos que pesquisadores têm levantado em relação aos mundos virtuais. Não importa se você um zumbi azul comedor de carniça ou uma linda elfa bronzeada semi-nua: por trás do avatar está uma pessoa de carne e osso. Os personagens que interagem são pessoas fazendo contato. Por não ser físico este é um contato de segunda categoria? Não é bem assim e, de fato, pode ser bem o contrário – mas isso é assunto para outro post.
Quanto entramos em um mundo virtual levamos junto nossa carga real de experiências, crenças, desejos, medos, etc. Não importa se sou o mesmo no jogo e no dia a dia ou se ajo de um jeito totalmente diferente quando estou jogado online: o que define quem sou e como sou está guardado nessa bagagem.
Quando comecei a jogar Metin2 havia restrições de classes e sexo. Guerreiros e Suras eram homens, Shamans e Ninjas eram mulheres. Poucos pareciam se incomodar com isso – basta ver quantos homens preferem jogar com personagens femininos para ver que isso não é um problema. A única coisa que parecia ser afetada com essas limitações entre classes e sexos era o sistema de casamentos do jogo.
Pode ser coincidência, mas depois que o Metin implementou ambos os sexos para todas as classes notei um aumento no número de casamentos entre personagens. Para quem não sabe, casamento em MMOs são mais vantajosos do que na vida real. No Metin, os pombinhos obtêm vantagens bem interessantes, como se teleportar para a área do(a) companheiro(a). Casamentos são, acima de tudo, uma decisão estratégica – e não deveriam ser sempre?
Em praticamente todos os MMOs, casamentos só podem ocorrer entre personagens de sexos opostos. Bom, isso é o ‘padrão’, não? Ainda que tenha sido esse o padrão, as coisas estão mudando. Certamente os produtores de Metin não quiseram arriscar e chocar uns e outros permitindo o casamento entre personagens do mesmo sexo e preferiram manter a ordem ‘natural’ das coisas. Isso não é um caso isolado, até aqui eu não havia tido conhecimento de algum MMO que permitisse o casamento entre iguais. Até agora.
No início deste ano, Dream of Mirror Online – DOMO, um MMO da Aeria Games, anunciou que estavam liberados os casamentos entre avatares do mesmo gênero. A notícia não teve grande repercussão – na verdade, ainda está sendo comentada aqui e ali. O que essa novidade vai trazer ao game, não sei – não jogo DOMO -, mas certamente há uma razão para isso. Afinal, as horas gastas nessa adaptação do game deverão ser reembolsadas de alguma forma. O site Massively cita que o casamento entre avatares do mesmo gênero é uma solicitação popular , Não acredito que tenha sido um investimento em marketing (e se foi, foi por agua abaixo), portanto, parece que o buraco é mais embaixo.
Nada ocorre por acaso, não, ao menos, quando se trata de estratégia em um mercado ainda ‘pantanoso’ como o dos MMOs. É por isso que arrisco dizer que estamos presenciando em um mundo virtual (isolado) um sinal de mudança sócio-cultural em direção à tolerância e aceitação de um tema que é tabu e polêmica mundo afora. No entanto, para tentar entender as razões e as conseqüências dessa novidade é imprescindível analisar o contexto do game, conhecer o perfil dos seus jogadores, suas intenções e seu background. Sem isso não podemos saber se o casamento entre avatares do mesmo sexo no DoMo é um reflexo embaçado ou uma distorção barata da nossa realidade.
Ainda assim, mesmo sem qualquer informação fundamentada sobre essa ‘inovação’ em DOMO, aposto algumas fichas de que estamos, sim, na frente de um espelho. Meio deformado, exagerado, saturado, mas que ainda assim reflete a nossa cara – seja ela feia ou bonita.
(Alguém lembrou do espelho de Ojesed dos livros do Harry Potter?)
Quem não tem cão, caça online

Já se imaginou caçando naquelas florestas de cinema norte-americanas? Bom, guarde os dólares no colchão e economize jogando The Hunter, um free-to-play auto-intitulado ‘o jogo mais realista de caça online’.
Lançado hoje, ‘The Hunter’ é um MMO (bom, quase MMO) onde você assume o papel de um caçador e sai por aí atirando na bela fauna que enxergar pela frente – realmente, os gráficos são bem bonitos. Ibamas e Petas à parte, o game parece ser interessante, se chegar a ser tudo o o que pretende.
The Hunter procura firmar suas bases na formação de uma comunidade de jogadores. Como caçar pode ser um exercício de paciência, o game vai buscar dinamismo através de desafios e competições constantes – eventos, como em todo MMO que se preze. Tal como um verdadeiro desportista, vencendo competições você irá brigar pela liderança em rankings regionais e globais.
Por enquanto, você só pode sair por aí queimando cartuchos sozinho, mas a produtora Emote já tem planos para ambientes multiplayer, dependendo da receptividade dos jogadores. Um dos motivos do jogo solo seria trazer maior realismo às caçadas.
Realismo? a) chato b) cruel c) irreal d) n.d.a. e) todas
The Hunter foi criado pensando no mercado dos Estados Unidos, onde há uma cultura de caça e armas de fogo bastante arraigada. Mas, obviamente, o game já atrai jogadores de tudo quanto é canto.
Apostando forte em um perfil de rede social, The Hunter deverá trazer ferramentas que promovam a interação da comunidade. Através do próprio cliente é possível enviar imagens e vídeos. Fora do ambiente de jogo, o game dá seus primeiros passos com presença no Facebook e usando SMS para manter os jogadores a par das ações de amigos e resultados de competições.
O jogo é gratuito e se pretende se manter com a venda de itens in-game e assinaturas premium.
Não me parece ser bem o neu tipo de jogo, mas só jogando pra saber. Ficou curioso? Baixe o jgo e mate a vontade – e o que mais vier pela frente. Para saber mais, acesse o site do The Hunter e confira o vídeo ali em cima.
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