Pandas, ame-os ou…

Melhor se acostumar com eles, pois os Pandaren vieram para ficar. A nova raça de World of Warcraft pode até ser engraçadinha e fofinha, mas tem muito mais por baixo daquela fachada gorducha do que simples apelo infantil.
É inevitável associar os Pandarens com a animação Kung Fu Panda, afinal, o desenho é bem divertido e um baita sucesso. Principalmente a partir desta associação é que nasceram as primeiras reclamações de que a Blizzard estaria infantilizando o game. Juntando Pandarens com Pet Battle, então, foi mais que suficiente para descambar na gritaria generalizada de que WoW estaria virando coisa de criança.
O alarde não deixa de estar certo. A Blizzard, com Mists of Pandaria, está trazendo ao universo de Warcraft uma visão menos sombria, representada pelos Pandarens e sua terra, Pandaria. No entanto, tirando de cena o Mal encarnado, como eram as figuras do Lich King e Deathwing, a Blizzard vai trazer de volta aos holofotes o confronto entre Horda e Aliança. Ou seja, em Mists of Pandaria, o Mal somos nós mesmos. Sem um inimigo em comum, Varian e Garrosh devem ganhar mais espaço e botar as manguinhas de fora para fazer o que sempre quiseram fazer: aniquilar a facção inimiga.
Analisando com mais atenção, não é justo dizermos que Mists of Pandaria é uma expansão infantilizada. Embora traga mudanças que simplificam o game e novas funcionalidades mais casuais, a guerra e as intrigas podem ganhar muito mais espaço e complexidade com a nova expansão.
Pandaria e os Pandarens
A descoberta do continente de Pandaria por ambas as facções traz para World of Warcraft a primeira raça neutra, os Pandaren. A pacífica e tranquila Pandaria passa a ser o mais novo cenário da batalha entre Horda e Aliança, e os seus habitantes, depois de algumas missões, são forçados a se aliar a uma facção – até o nível 10, os personagens Pandarens são neutros. As razões para que os Pandarens entrem no conflito ainda não são bem claras.
Isolados do resto do mundo há mais de 10 mil anos, os Pandarens tem vivido em paz e harmonia, cultivando suas plantações, aprimorando (e bebendo) suas cervejas, cantando e dedicando seu tempo às artes e à boa vida. No início das eras, os Pandaren habitavam Kalimdor e eram aliados dos Night Elves, mas se afastaram ao perceber que a sede por magia dos elfos não era algo muito saudável. Com o fim do Poço da Eternidade (Well of Eternity) e a fragmentação do mundo (Great Sundering), os Pandaren optaram pela paz em isolamento.
Mesmo isolados, os Pandarem convivem com perigos e têm conflitos com raças que também habitam Pandaria, entre elas os:
- Mogu, a raça mais antiga de Pandaria, parecem orcs com cabeça de dragão chinês
- Mantid, raça insectóide inteligente
- Hozu, parecidos com macacos, gostam de pregar peças nos Pandarens
- Verming, coelhos humanóides que destróem as plantações
- Sha, elementais de energia negativa, que ganham força com a chegada da Horda e da Aliança
Outra raça que habita Pandaria são os Jinyu, homens-peixe que conversam com a terra, tidos como sábios pelos Pandaren.
Os Pandaren estão organizados em 5 shao’dins, ou clãs, que são:
- Black Ox Clan (Clã do Touro Negro), habitam o Oeste
- Red Crane Clan (Clan da Garça Vermelha), ligados ao fogo, vivem ao Sul
- White Tiger Clan (Clã do Tigre Branco), mais militarizado, habitam o Norte
- Jade Serpent Clan (Clã da Serpente Jade), habitam o Leste
- Shado-pan Clan (Clã Shado-pan), misteriosos, remetem aos ninjas e estão em batalha constante contra os Sha
O papel que os clãs terão no desenrolar da história da expansão ainda não está claro.
Classes e Raciais
Os personagens Pandarens poderão assumir a maioria das classes, exceto Warlocks, Death Knights, Druidas e Paladinos. Obviamente, Pandarens poderão ser Monks, a classe que estréia em Mists of Pandaria e que tem tudo a ver com os pandas. Inclusive, há muita controvérsia sobre a nova classe, mas isso fica para outro momento
Em resumo, o seu panda poderá ser Hunter, Mage, Monk, Priest, Rogue, Shaman e Warrior.
Até aqui, as habilidades raciais dos Pandaren são bastante interessantes e divertidas, mas estão sujeitas a mudanças. São elas:
- Gourmand: habilidade de Cooking aumentada em 15 pontos
- Inner Peace: o bônus de experiência por estar descansado dura o dobro do tempo
- Bouncy: 50% menos dano por queda
- Quaking Palm: você atinge um ponto de pressão do inimigo e o coloca para dormir por 3 segundos
- Epicurean: aumenta os benefícios obtidos de comidas em 100% (com certeza, essa será nerfada)
Mists of Pandaria não deve ser lançado antes de Julho de 2012. Até lá, muitas novidades e mudanças serão anunciadas. A única certeza é de que os Pandas vieram para ficar.
Um espelhinho para o Patinho Feio

Em outro post, expressei minha opinião sobre a qualidade da produção das cinematics do WoW traduzidas para nosso Português. Enquanto a maioria comentários criticava a minha exigência em relação a tal produção, eles também apontavam para um sentimento infeliz que o Brasil ainda cultiva: a Síndrome do Patinho Feio.
Vamos falar especificamente da situação da localização do World of Warcraft para o Brasil.
Depois de alguns anos de suspense, a Blizzard finalmente anunciou que teremos WoW traduzido para nosso idioma, com mensalidade mais em conta (em Reais) e servidores direcionados aos gamers brasileiros. Isso é, sem dúvida, um tremendo fato para a história dos games no Brasil. Há alguns anos que nosso País está nos planos das grandes produtoras mundiais, e este é um fato que atesta nosso peso no mercado de games – ao menos, como consumidores de games.
Um dos movimentos iniciais da chegada do WoW ao Brasil foi a tradução das cinematics. Mundialmente, a Blizzard é reconhecida pelo seu alto padrão de qualidade em todos os seus produtos. E, a meu ver, isso não foi ‘traduzido’ para as cinematics brasileiras. Seria muito pedir que os brasileiros tenham a mesma qualidade que o mercado internacional recebe? Para mim, é óbvio que não. Para outros, ‘tá bom assim, pelo menos os caras estão nos dando uma chance’.
Um artigo no WoW Insider analisa o risco jurídico da entrada do MMO da Blizzard no mercado brasileiro - citando a proibição da venda do Everquest. Embora o risco exista, a aposta da Blizzard no Brasil tende a render, e muito. Com o amadurecimento do setor de games no País nos últimos anos e a repercussão que a localização de um game como World of Warcraft gera mundo afora, arrisco dizer que os riscos da Blizzard são bem atenuados e calculados.
Fora a potencial ameaça jurídica, a Blizzard só tem a ganhar vindo para o Brasil. Temos milhares de jogadores em potencial, impedidos, ainda em grande parte, pelos custos (hardware, software, mensalidades) e barreiras de linguagem. Pontos para a Blizzard.
Mesmo com estes impedimentos, há uma enorme base de jogadores brasileiros nos realms de World of Warcraft. Basta espiar o Warsong, um realm tremendamente populado e praticamente só com brasileiros – e não é o único.
O brasileiro ainda acha que não merece ser tratado com o devido respeito, não se acha merecedor daquilo que lhe é oferecido e, com isso, coloca lá pra baixo o nível de exigência. É a tal Síndrome do Patinho Feio. Isso acontece em todos os setores, não apenas nos games. Precisamos perceber que os grandes players estão vindo oficialmente para o Brasil e o que estamos comprando aqui são produtos e serviços de qualidade internacional. Não estamos falando de um uísque paraguaio ou de um videogame ching ling.
Já se foi o tempo em que nosso país não era interessante para as grandes produtoras mundiais, muito pelo contrário. Agora nossa economia e consumo são como aquele Velho Oeste americano que vemos nos filmes – uma promessa que pode render muito para aqueles que souberem conquistá-lo. Só que nessa corrida pelo ouro nós somos os índios, defendendo nosso território. Se vamos repetir a história e nos trocar por espelhinhos ou se vamos selar um acordo justo, só depende de nós.
Referências:
1. Produção de games contará com incentivo fiscal no Brasil
2. Entidade pede incentivo para games brasileiros
3. Jogo Justo
4. Is this a US server?
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